Pré-parto

Informação para se preparar para a gravidez, o parto e o nascimento do seu bebé.

1. Escolher o local e o tipo de parto

A chegada de um bebé é um momento especial, e a escolha do local do parto deve refletir as suas preferências e necessidades. A decisão deve basear-se no tipo de assistência que deseja e no ambiente onde se sente mais segura.

Se possível, visite diferentes maternidades para conhecer as instalações, a equipa de profissionais e o tipo de assistência disponível.

Informe-se sobre as práticas de parto oferecidas — seja ele natural, humanizado, medicalizado, instrumentado ou cesariana — e avalie os recursos físicos e humanos de cada unidade.

Lembre-se: o lugar mais seguro para o seu bebé nascer é aquele onde se sente segura e tranquila.

Após explorar as opções, escolha o local que melhor se adapta às suas expectativas. A satisfação com a experiência do parto depende não só da infraestrutura e dos profissionais, mas também das suas próprias vivências e valores.

Na verdade, ao chegar ao local onde vai ter o seu bebé, o que realmente deveria sentir é que aquelas pessoas estão ali por si e para si. Que fazem parte da sua jornada, da sua equipa.

Afinal, todos partilham o mesmo objetivo: um parto seguro e tranquilo. Imagine-se numa equipa de futebol: todos os jogadores correm na mesma direção, com o mesmo propósito — fazer o golo na mesma baliza.

Os profissionais estão ali para a apoiar, para a acolher e para celebrar consigo esse momento único. Querem vê-la confiante, o seu bebé saudável e toda a experiência envolta em serenidade e felicidade.

Essa é a sua “tribo” — um círculo de cuidado e carinho, onde todos trabalham em harmonia para que este dia fique gravado no seu coração como um dos mais especiais da sua vida.

Se deseja um papel mais ativo no seu parto, considere dois aspetos fundamentais:

  • O seu autocontrolo: a capacidade de gerir a ansiedade, a dor e o medo que podem surgir, mantendo-se conectada com o processo e com as pessoas à sua volta.
  • O ambiente e a equipa: a forma como é tratada, o respeito pelas suas preferências e a abertura da equipa para ouvir e respeitar as suas escolhas.

Independentemente do tipo de parto que idealiza, o mais importante é que as suas vontades e opiniões sejam consideradas em todas as etapas.

Caso haja alguma condição médica que possa influenciar a escolha, o seu médico ou enfermeiro especialista poderá orientá-la da melhor forma.

Opção de parto em hospital privado

Se optar por um hospital privado, é essencial garantir que existe uma equipa completa disponível 24 horas por dia, incluindo parteiras, neonatologistas, anestesistas e equipa cirúrgica.

Parto vaginal em hospital privado

Se deseja um parto vaginal, informe-se sobre a prática do obstetra que escolheu. Alguns médicos realizam predominantemente cesarianas e, caso o seu profissional tenha essa abordagem, pode acabar por ser incentivada a optar por essa via sem necessidade real.

Ao escolher o seu obstetra, pesquise sobre as suas práticas habituais e pergunte-lhe diretamente qual é a sua posição em relação ao parto normal.

Um médico com abordagem humanizada deve informá-la sobre os benefícios e riscos de cada opção, esclarecer as suas dúvidas e respeitar a sua autonomia.

Além disso, certifique-se de que o profissional tem disponibilidade para acompanhar o seu parto. Se trabalhar simultaneamente num hospital público, pode não estar presente no momento do nascimento do seu bebé.

Pergunte se existe uma equipa de suporte que garanta continuidade no seu plano de parto.

Cesarianas em hospital privado

Se pretende uma cesariana programada, a escolha do obstetra será mais simples, pois a maioria dos médicos aceita esta opção sem objeções.

Além disso, esta pode ser uma forma de garantir que o seu obstetra estará presente no seu parto, reduzindo a incerteza associada ao trabalho de parto espontâneo.

Opção de parto em hospital público

Nos hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS), o parto vaginal é a via prioritária, seguindo as recomendações médicas e científicas que visam a segurança da mãe e do bebé.

Parto vaginal no SNS

Em Portugal, a taxa de cesarianas é considerada um indicador de boas práticas na Obstetrícia. Os hospitais públicos incentivam o parto vaginal sempre que possível, pois este apresenta menores riscos para a mãe e para o bebé.

No entanto, isto não significa que uma cesariana necessária seja recusada por razões estatísticas. Nenhum profissional deixará de realizar uma cesariana quando for clinicamente indicada.

Na verdade, para um obstetra, realizar uma cesariana pode ser mais rápido do que acompanhar um parto vaginal, que pode demorar várias horas.

Se deseja que o seu obstetra acompanhe o seu parto no hospital público, saiba que essa possibilidade pode ser limitada. Os médicos estão sujeitos a escalas de urgência e podem não estar disponíveis quando entrar em trabalho de parto.

Caso opte por uma indução para garantir a sua presença, é essencial discutir os riscos e benefícios dessa decisão.

Cesarianas a pedido no SNS

Atualmente, a maioria dos hospitais públicos não realiza cesarianas a pedido, sem indicação médica. As cesarianas programadas são reservadas para casos com justificação clínica.

Posso escolher uma maternidade fora da minha área de residência?

Sim. Em Portugal, a legislação permite às grávidas escolherem a unidade de saúde onde desejam ter o seu parto, independentemente da sua área de residência.

Este direito está consagrado na Lei n.º 15/2014, de 21 de março, que estabelece os direitos e deveres dos utentes do SNS.

De acordo com esta lei, os utentes têm direito à livre escolha dos serviços e prestadores de cuidados de saúde, dentro dos recursos disponíveis.

Isto significa que, em teoria, uma grávida do Sul pode optar por ter o seu bebé no Norte ou em qualquer outra unidade do país. No entanto, essa escolha está sujeita à capacidade da unidade de destino.

Recomendações para escolher uma maternidade fora da sua área

  • Informe-se com antecedência sobre a disponibilidade do hospital escolhido.
  • Contacte a unidade de saúde pretendida para conhecer os procedimentos e eventuais restrições.
  • Converse com o seu médico assistente para garantir uma transferência adequada do seu processo clínico.

Embora o princípio da livre escolha seja garantido por lei, as unidades de saúde podem ter limitações de capacidade, pelo que é essencial fazer este planeamento com tempo.

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