Informação para se preparar para a gravidez, o parto e o nascimento do seu bebé.
1. A escolha do profissional de saúde
A gravidez é uma fase única e especial na vida de uma mulher, onde cada
decisão tem um impacto significativo. Escolher o profissional certo para
acompanhá-la nesta jornada é essencial, pois ele estará ao seu lado,
garantindo o seu bem-estar e o do bebé.
A verdade é que não existe um médico perfeito para todas as pessoas. Por
mais experiente, simpático ou competente que seja, a empatia é algo muito
pessoal. Essa afinidade pode surgir logo na primeira consulta ou ir-se
construindo ao longo do acompanhamento.
O ideal é encontrar um profissional que, além de conhecimento e experiência,
transmita confiança, respeite as suas escolhas e acompanhe esta fase com
dedicação e sensibilidade.
Mas como escolher o profissional certo? O que deve ter em conta ao decidir
quem vai estar consigo ao longo da gravidez e num dos momentos mais
importantes da sua vida?
1. Procure recomendações e pesquise comece por falar com amigas que já tiveram filhos.
Pergunte-lhes como foi o acompanhamento, se sentiram confiança no profissional e como correu o parto.
Se as expectativas delas forem semelhantes às suas, pode ser um bom ponto de partida.
Se tiver um amigo médico, pode pedir-lhe recomendações com base nos seus desejos para a gravidez e o parto.
Estes profissionais conhecem os “bastidores” da área e podem dar-lhe informações valiosas.
As redes sociais também podem ser uma fonte de pesquisa, mas tenha atenção: um grande número de seguidores
ou a fama de um profissional não significa necessariamente qualidade no atendimento.
2. Defina os seus critérios depois de reunir alguns nomes, aplique filtros de acordo com as suas
preferências e expectativas:
Perfil do profissional: prefere um médico homem ou
mulher? Um profissional mais experiente ou mais jovem, com uma abordagem
mais atual?
Área de especialização: o médico tem formação em
gravidez de risco, ecografia obstétrica ou outra especialidade relevante
para o seu caso?
Histórico de partos: verifique a taxa de cesarianas e de
partos vaginais do obstetra. Se deseja um parto normal e o profissional
realiza maioritariamente cesarianas, talvez não seja a melhor escolha
para si.
Tipo de parto e local de nascimento: quer um parto
hospitalar, domiciliar ou na água? Certifique-se de que o profissional
tem experiência no tipo de parto que deseja.
3. Avalie a disponibilidade e a acessibilidade outro ponto essencial é a disponibilidade do obstetra:
Tempo de consulta: as consultas são demoradas ou muito
rápidas? O profissional escuta as suas dúvidas e explica tudo de forma
clara?
Acesso fora das consultas: se precisar de esclarecer
algo, o obstetra responde às chamadas, mensagens ou WhatsApp?
Localização: o consultório está acessível para consultas
regulares? Se estiver indecisa entre dois profissionais semelhantes, a
proximidade pode ser um fator a considerar.
4. A primeira consulta: um teste decisivo a primeira consulta é a oportunidade perfeita para avaliar se se sente
confortável e respeitada.
O médico mostra interesse pelas suas preocupações?
Explica os procedimentos e exames de forma clara?
Demonstra paciência e empatia?
Se valoriza um parto humanizado, questione sobre a abordagem do profissional:
ele apoia a criação de um plano de parto? Permite liberdade de movimentos
durante o trabalho de parto? Incentiva métodos naturais para alívio da dor?
Aproveite também para perguntar sobre temas essenciais como atividade
física, suplementação e exames na gravidez.
5. O hospital e a equipa médica verifique em que instituição trabalha o obstetra. O hospital tem boas
condições para receber o seu bebé caso seja necessária assistência
diferenciada?
E se o seu trabalho de parto começar num dia em que o médico não está
disponível? Ele trabalha com uma equipa que segue as mesmas diretrizes?
Estas questões são importantes para garantir que, independentemente das
circunstâncias, estará sempre bem assistida.
6. Se não se sentir confortável, mude se, ao longo das consultas, perceber que o obstetra não é a escolha certa
para si, não hesite em procurar outro profissional. Trocar de médico uma, duas ou até mais vezes durante a gravidez não é um
problema — o mais importante é que se sinta segura e confiante no acompanhamento.
7. Enfermeiros obstetras também podem acompanhar a gravidez além dos médicos obstetras, os Enfermeiros Especialistas em Saúde
Materna e obstétrica (EESMO) são profissionais qualificados para fazer a vigilância da gravidez de baixo risco, acompanhar o
parto e prestar assistência no pós-parto. Estes profissionais podem trabalhar em equipa com obstetras, garantindo um acompanhamento integrado.
Se deseja um parto domiciliar, por exemplo, um EESMO pode ser a melhor opção, pois é este profissional que presta esse tipo de assistência.
Concluindo: a confiança deve estar acima de tudo
A escolha do profissional que a vai acompanhar na gravidez é uma decisão
pessoal e importante.
Mais do que títulos e currículos, o essencial é sentir que está em boas mãos,
com alguém que a respeita, escuta e orienta com empatia e conhecimento.
A regra é simples: deve gostar do profissional e, acima de tudo, confiar
nele.
Sugerimos que também leia
A gravidez é uma fase única e especial na vida de uma mulher, onde cada
decisão tem um impacto significativo. Escolher o profissional certo para
acompanhá-la nesta jornada é essencial, pois ele estará ao seu lado,
garantindo o seu bem-estar e o do bebé.
A verdade é que não existe um médico perfeito para todas as pessoas. Por
mais experiente, simpático ou competente que seja, a empatia é algo muito
pessoal. Essa afinidade pode surgir logo na primeira consulta ou ir-se
construindo ao longo do acompanhamento.
O ideal é encontrar um profissional que, além de conhecimento e experiência,
transmita confiança, respeite as suas escolhas e acompanhe esta fase com
dedicação e sensibilidade.
Mas como escolher o profissional certo? O que deve ter em conta ao decidir
quem vai estar consigo ao longo da gravidez e num dos momentos mais
importantes da sua vida?
1. Procure recomendações e pesquise comece por falar com amigas que já tiveram filhos.
Pergunte-lhes como foi o acompanhamento, se sentiram confiança no profissional e como correu o parto.
Se as expectativas delas forem semelhantes às suas, pode ser um bom ponto de partida.
Se tiver um amigo médico, pode pedir-lhe recomendações com base nos seus desejos para a gravidez e o parto.
Estes profissionais conhecem os “bastidores” da área e podem dar-lhe informações valiosas.
As redes sociais também podem ser uma fonte de pesquisa, mas tenha atenção: um grande número de seguidores
ou a fama de um profissional não significa necessariamente qualidade no atendimento.
2. Defina os seus critérios depois de reunir alguns nomes, aplique filtros de acordo com as suas
preferências e expectativas:
Perfil do profissional: prefere um médico homem ou
mulher? Um profissional mais experiente ou mais jovem, com uma abordagem
mais atual?
Área de especialização: o médico tem formação em
gravidez de risco, ecografia obstétrica ou outra especialidade relevante
para o seu caso?
Histórico de partos: verifique a taxa de cesarianas e de
partos vaginais do obstetra. Se deseja um parto normal e o profissional
realiza maioritariamente cesarianas, talvez não seja a melhor escolha
para si.
Tipo de parto e local de nascimento: quer um parto
hospitalar, domiciliar ou na água? Certifique-se de que o profissional
tem experiência no tipo de parto que deseja.
3. Avalie a disponibilidade e a acessibilidade outro ponto essencial é a disponibilidade do obstetra:
Tempo de consulta: as consultas são demoradas ou muito
rápidas? O profissional escuta as suas dúvidas e explica tudo de forma
clara?
Acesso fora das consultas: se precisar de esclarecer
algo, o obstetra responde às chamadas, mensagens ou WhatsApp?
Localização: o consultório está acessível para consultas
regulares? Se estiver indecisa entre dois profissionais semelhantes, a
proximidade pode ser um fator a considerar.
4. A primeira consulta: um teste decisivo a primeira consulta é a oportunidade perfeita para avaliar se se sente
confortável e respeitada.
O médico mostra interesse pelas suas preocupações?
Explica os procedimentos e exames de forma clara?
Demonstra paciência e empatia?
Se valoriza um parto humanizado, questione sobre a abordagem do profissional:
ele apoia a criação de um plano de parto? Permite liberdade de movimentos
durante o trabalho de parto? Incentiva métodos naturais para alívio da dor?
Aproveite também para perguntar sobre temas essenciais como atividade
física, suplementação e exames na gravidez.
5. O hospital e a equipa médica verifique em que instituição trabalha o obstetra. O hospital tem boas
condições para receber o seu bebé caso seja necessária assistência
diferenciada?
E se o seu trabalho de parto começar num dia em que o médico não está
disponível? Ele trabalha com uma equipa que segue as mesmas diretrizes?
Estas questões são importantes para garantir que, independentemente das
circunstâncias, estará sempre bem assistida.
6. Se não se sentir confortável, mude se, ao longo das consultas, perceber que o obstetra não é a escolha certa
para si, não hesite em procurar outro profissional. Trocar de médico uma, duas ou até mais vezes durante a gravidez não é um
problema — o mais importante é que se sinta segura e confiante no acompanhamento.
7. Enfermeiros obstetras também podem acompanhar a gravidez além dos médicos obstetras, os Enfermeiros Especialistas em Saúde
Materna e obstétrica (EESMO) são profissionais qualificados para fazer a vigilância da gravidez de baixo risco, acompanhar o
parto e prestar assistência no pós-parto. Estes profissionais podem trabalhar em equipa com obstetras, garantindo um acompanhamento integrado.
Se deseja um parto domiciliar, por exemplo, um EESMO pode ser a melhor opção, pois é este profissional que presta esse tipo de assistência.
Concluindo: a confiança deve estar acima de tudo
A escolha do profissional que a vai acompanhar na gravidez é uma decisão
pessoal e importante.
Mais do que títulos e currículos, o essencial é sentir que está em boas mãos,
com alguém que a respeita, escuta e orienta com empatia e conhecimento.
A regra é simples: deve gostar do profissional e, acima de tudo, confiar
nele.
A chegada de um bebé é um momento especial, e a escolha do local do parto
deve refletir as suas preferências e necessidades. A decisão deve basear-se
no tipo de assistência que deseja e no ambiente onde se sente mais segura.
Se possível, visite diferentes maternidades para conhecer as instalações, a
equipa de profissionais e o tipo de assistência disponível.
Informe-se sobre as práticas de parto oferecidas — seja ele natural,
humanizado, medicalizado, instrumentado ou cesariana — e avalie os recursos
físicos e humanos de cada unidade.
Lembre-se: o lugar mais seguro para o seu bebé nascer é aquele onde se
sente segura e tranquila.
Após explorar as opções, escolha o local que melhor se adapta às suas
expectativas. A satisfação com a experiência do parto depende não só da
infraestrutura e dos profissionais, mas também das suas próprias vivências e
valores.
Na verdade, ao chegar ao local onde vai ter o seu bebé, o que realmente
deveria sentir é que aquelas pessoas estão ali por si e para si. Que fazem
parte da sua jornada, da sua equipa.
Afinal, todos partilham o mesmo objetivo: um parto seguro e tranquilo.
Imagine-se numa equipa de futebol: todos os jogadores correm na mesma
direção, com o mesmo propósito — fazer o golo na mesma baliza.
Os profissionais estão ali para a apoiar, para a acolher e para celebrar
consigo esse momento único. Querem vê-la confiante, o seu bebé saudável e
toda a experiência envolta em serenidade e felicidade.
Essa é a sua “tribo” — um círculo de cuidado e carinho, onde todos trabalham
em harmonia para que este dia fique gravado no seu coração como um dos mais
especiais da sua vida.
Se deseja um papel mais ativo no seu parto, considere dois aspetos
fundamentais:
O seu autocontrolo: a capacidade de gerir a ansiedade, a
dor e o medo que podem surgir, mantendo-se conectada com o processo e com
as pessoas à sua volta.
O ambiente e a equipa: a forma como é tratada, o respeito
pelas suas preferências e a abertura da equipa para ouvir e respeitar as
suas escolhas.
Independentemente do tipo de parto que idealiza, o mais importante é que as
suas vontades e opiniões sejam consideradas em todas as etapas.
Caso haja alguma condição médica que possa influenciar a escolha, o seu
médico ou enfermeiro especialista poderá orientá-la da melhor forma.
Opção de parto em hospital privado
Se optar por um hospital privado, é essencial garantir que existe uma equipa
completa disponível 24 horas por dia, incluindo parteiras, neonatologistas,
anestesistas e equipa cirúrgica.
Parto vaginal em hospital privado
Se deseja um parto vaginal, informe-se sobre a prática do obstetra que
escolheu. Alguns médicos realizam predominantemente cesarianas e, caso o seu
profissional tenha essa abordagem, pode acabar por ser incentivada a optar
por essa via sem necessidade real.
Ao escolher o seu obstetra, pesquise sobre as suas práticas habituais e
pergunte-lhe diretamente qual é a sua posição em relação ao parto normal.
Um médico com abordagem humanizada deve informá-la sobre os benefícios e
riscos de cada opção, esclarecer as suas dúvidas e respeitar a sua autonomia.
Além disso, certifique-se de que o profissional tem disponibilidade para
acompanhar o seu parto. Se trabalhar simultaneamente num hospital público,
pode não estar presente no momento do nascimento do seu bebé.
Pergunte se existe uma equipa de suporte que garanta continuidade no seu
plano de parto.
Cesarianas em hospital privado
Se pretende uma cesariana programada, a escolha do obstetra será mais
simples, pois a maioria dos médicos aceita esta opção sem objeções.
Além disso, esta pode ser uma forma de garantir que o seu obstetra estará
presente no seu parto, reduzindo a incerteza associada ao trabalho de parto
espontâneo.
Opção de parto em hospital público
Nos hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS), o parto vaginal é a via
prioritária, seguindo as recomendações médicas e científicas que visam a
segurança da mãe e do bebé.
Parto vaginal no SNS
Em Portugal, a taxa de cesarianas é considerada um indicador de boas práticas
na Obstetrícia. Os hospitais públicos incentivam o parto vaginal sempre que
possível, pois este apresenta menores riscos para a mãe e para o bebé.
No entanto, isto não significa que uma cesariana necessária seja recusada por
razões estatísticas. Nenhum profissional deixará de realizar uma cesariana
quando for clinicamente indicada.
Na verdade, para um obstetra, realizar uma cesariana pode ser mais rápido do
que acompanhar um parto vaginal, que pode demorar várias horas.
Se deseja que o seu obstetra acompanhe o seu parto no hospital público, saiba
que essa possibilidade pode ser limitada. Os médicos estão sujeitos a
escalas de urgência e podem não estar disponíveis quando entrar em trabalho
de parto.
Caso opte por uma indução para garantir a sua presença, é essencial discutir
os riscos e benefícios dessa decisão.
Cesarianas a pedido no SNS
Atualmente, a maioria dos hospitais públicos não realiza cesarianas a pedido,
sem indicação médica. As cesarianas programadas são reservadas para casos com
justificação clínica.
Posso escolher uma maternidade fora da minha área de residência?
Sim. Em Portugal, a legislação permite às grávidas escolherem a unidade de
saúde onde desejam ter o seu parto, independentemente da sua área de
residência.
Este direito está consagrado na Lei n.º 15/2014, de 21 de março, que
estabelece os direitos e deveres dos utentes do SNS.
De acordo com esta lei, os utentes têm direito à livre escolha dos serviços
e prestadores de cuidados de saúde, dentro dos recursos disponíveis.
Isto significa que, em teoria, uma grávida do Sul pode optar por ter o seu
bebé no Norte ou em qualquer outra unidade do país. No entanto, essa escolha
está sujeita à capacidade da unidade de destino.
Recomendações para escolher uma maternidade fora da sua área
Informe-se com antecedência sobre a disponibilidade do hospital escolhido.
Contacte a unidade de saúde pretendida para conhecer os procedimentos e
eventuais restrições.
Converse com o seu médico assistente para garantir uma transferência
adequada do seu processo clínico.
Embora o princípio da livre escolha seja garantido por lei, as unidades de
saúde podem ter limitações de capacidade, pelo que é essencial fazer este
planeamento com tempo.
A importância do acompanhante no parto
Uma das decisões mais significativas no trabalho de parto é escolher quem
estará ao seu lado quando o seu bebé nascer. O parto é um momento
transformador, e a presença de alguém que a apoie pode fazer toda a diferença
na sua experiência.
Se assim o desejar, pode ter consigo um acompanhante de confiança, que esteja
presente desde o início do trabalho de parto até ao nascimento do seu bebé.
O papel do acompanhante vai muito além de simplesmente assistir ao
nascimento. Ele ou ela será o seu suporte emocional e físico, ajudando-a a
sentir-se mais segura, confiante e confortável.
Escolha alguém que não duvide da sua capacidade de parir e que esteja
preparado para lhe oferecer encorajamento e tranquilidade.
Os benefícios de um bom acompanhante
Ter alguém ao seu lado que a apoie incondicionalmente pode trazer inúmeros
benefícios, tais como:
Maior sensação de segurança e conforto;
Evolução mais tranquila do trabalho de parto;
Menor necessidade de analgesia;
Maior probabilidade de um parto normal;
Menor risco de lacerações ou necessidade de episiotomia;
Melhores índices de bem-estar do bebé ao nascer (Índice de Apgar);
Maior probabilidade de sucesso na amamentação;
Maior envolvimento do parceiro(a) nos primeiros cuidados ao bebé.
Quando uma mulher se sente apoiada e encorajada, a sua experiência de parto
torna-se mais positiva. Além disso, quando o acompanhante é o parceiro ou
alguém próximo, o vínculo entre ambos e a admiração mútua tendem a crescer
ainda mais.
Por outro lado, se o acompanhante não acreditar na sua força e capacidade,
isso pode afetar a sua autoconfiança, tornando o parto mais difícil e
aumentando a probabilidade de intervenções médicas desnecessárias.
E se o parto for por cesariana?
A presença de um acompanhante também é permitida durante a cesariana, exceto
em situações de emergências ou quando for necessária anestesia geral. Este
direito está garantido por lei, desde que a condição clínica permita.
Caso haja qualquer impedimento para a presença do acompanhante, a equipa
médica deverá informá-la com antecedência, explicar os motivos e registar
essa decisão no seu processo clínico.
O parto é um momento único e transformador, e ter ao seu lado alguém que
acredite em si e na sua força pode tornar esta experiência ainda mais
especial.
Escolha alguém que a apoie, a tranquilize e que esteja pronto para celebrar
consigo a chegada do seu bebé. Afinal, este é um momento de amor, confiança
e partilha.
Direito ao acompanhante no parto
Em Portugal, a legislação permite a presença de até três acompanhantes em
regime de alternância. Isso significa que pode trocar de acompanhante até
duas vezes, garantindo que sempre tenha alguém especial a seu lado durante
todo o processo. Para saber mais, veja o anexo.
1 - Eis o que diz o Diário da República, 1.ª série, n.º 172 — página 94
Diário da República, 1.ª série, n.º 172 — página 94
Assembleia da República
Lei n.º 110/2019, de 9 de setembro
Sumário: Estabelece os princípios, direitos e deveres
aplicáveis em matéria de proteção na preconceção, na procriação medicamente
assistida, na gravidez, no parto, no nascimento e no puerpério, procedendo à
segunda alteração à Lei n.º 15/2014, de 21 de março.
Estabelece os princípios, direitos e deveres aplicáveis em matéria de
proteção na preconceção, na procriação medicamente assistida, na gravidez,
no parto, no nascimento e no puerpério, procedendo à segunda alteração à
Lei n.º 15/2014, de 21 de março.
A assembleia da república decreta, nos termos da alínea c) do artigo 161.º
da constituição, o seguinte:
Artigo 1.º
Objeto
A presente lei estabelece os princípios, direitos e deveres aplicáveis em
matéria de proteção na preconceção, na procriação medicamente assistida, na
gravidez, no parto, no nascimento e no puerpério, visando a sua consolidação,
abrangendo os serviços de saúde do setor público, privado e social,
procedendo à segunda alteração à Lei n.º 15/2014, de 21 de março, que
consolida a legislação em matéria de direitos e deveres do utente dos
serviços de saúde.
Artigo 2.º
Alteração à Lei n.º 15/2014, de 21 de março
Os artigos 12.º, 16.º, 17.º, 18.º e 32.º da Lei n.º 15/2014, de 21 de março,
alterada pelo Decreto-Lei n.º 44/2017, de 20 de abril, passam a ter a seguinte
redação:
Artigo 12.º
[…]
1 - Nos serviços do SNS:
É reconhecido e garantido a todos o direito de acompanhamento por uma
pessoa por si indicada, devendo ser prestada essa informação na admissão
do serviço;
No caso da mulher grávida, é garantido o acompanhamento de até três
pessoas por si indicadas, em sistema de alternância, não podendo
permanecer em simultâneo mais do que uma pessoa junto da utente.
3 - É reconhecido à mulher grávida, ao pai, a outra mãe ou
a pessoa de referência o direito a participar na assistência na gravidez.
4 - É reconhecido à mulher grávida o direito ao
acompanhamento na assistência na gravidez, por qualquer pessoa por si
escolhida, podendo prescindir desse direito a qualquer momento, incluindo
durante o trabalho de parto.
3 - A mulher grávida internada em serviço de saúde tem
direito ao acompanhamento, nos termos da alínea b) do n.º 1 do artigo 12.º,
durante todas as fases do trabalho de parto, incluindo partos por fórceps,
ventosas e cesarianas, por qualquer pessoa por si escolhida, exceto se razões
clínicas ou a segurança da parturiente e da criança o desaconselharem.
4 - No caso de se proceder a uma cesariana, o elemento da
equipa designado para o acolhimento do acompanhante deve prestar informação
prévia acerca das fases da cirurgia e dos procedimentos habituais que
ocorrem no decurso da mesma, assim como dar indicação do momento em que pode
entrar na sala, uma vez concluída a preparação da parturiente e da sala, e do
local em que deve posicionar-se durante a intervenção cirúrgica de modo a não
colocar em causa a qualidade dos cuidados e a segurança da parturiente e da
criança.
4 - Por determinação do médico obstetra, cessa a presença
do acompanhante sempre que no decurso do parto, incluindo em cesarianas,
surjam complicações inesperadas que justifiquem intervenções tendentes a
preservar a segurança da mãe ou da criança.
5 - Os serviços de saúde devem garantir ao pai, a outros
responsáveis parentais ou a pessoas de referência, a oportunidade de
assistir à observação do recém-nascido, sempre que não se identifiquem
contraindicações, nomeadamente de caráter clínico.
6 - Os serviços de saúde devem assegurar ao acompanhante o
direito de permanecer junto do recém-nascido, salvo se existirem razões
clínicas que impeçam este acompanhamento.
7 - Os serviços de saúde devem assegurar à mulher grávida e
à puérpera o direito a limitarem ou a prescindirem de visitas durante o
internamento.
2 - Eis o parecer da ordem dos médicos
Presença parental na sala do bloco operatório
2.1 Colégios da especialidade de ginecologia/obstetrícia
Na sequência do despacho n.º 5344-A/2016, de 19 de abril, onde se autoriza a
presença parental, ou de outra pessoa significativa para a mulher grávida,
em todas as fases do trabalho de parto, incluindo cesariana, divulgamos o
parecer da direção dos colégios da especialidade de
ginecologia/obstetrícia.
“A direção do colégio entende referir que dada a diversidade de situações
que se podem verificar, bem como uma grande diferença de condições de
logística e funcionais nos diversos serviços hospitalares, apenas os
diretores dos respetivos serviços se poderão pronunciar”.
2.2 Colégios da especialidade de anestesiologia
“Na sequência do Despacho n.º 5344-A/2016, de 19 de abril, onde se
autoriza a presença parental, ou de outra pessoa significativa para a
mulher grávida, em todas as fases do trabalho de parto, incluindo
cesariana, divulgamos o parecer da direção do colégio da especialidade de
anestesiologia.
— Compreende-se e valoriza-se a importância da presença parental ou de
outra pessoa considerada significativa, no acompanhamento da mulher
grávida durante as diferenças fases do trabalho de parto.
— Contudo, considera-se não apropriada a presença daquele utente em
ambiente de sala operatória quer seja para a realização de uma cesariana
quer seja para a realização de um parto instrumentado que se prevê
complicado e que necessita de ser realizado em sala de bloco operatório.
— Na verdade, o bloco operatório é um espaço de uma elevada
especificidade, técnica e logística, que não se coaduna com a presença de
pessoas estranhas àquela atividade, quer seja por não terem sido formadas
para assumirem um comportamento adequado num ambiente de elevado grau de
assepsia, quer seja por serem expostas a situações e vivenciarem
experiências com as quais poderão ter alguma dificuldade de saber gerir
as suas emoções.
— Salienta-se para além disso a imprevisibilidade de acontecimentos, por
vezes críticos mesmo em situações que nada o faziam prever (hemorragia
clínica, situações de indisposição da grávida no caso de estar a ser
submetida ao procedimento sob anestesia regional, asfixia do neonato que
após uma cesariana muitas vezes se encontra com menor vitalidade, etc.)
tão frequentes em ambiente obstétrico, que por questões de segurança
clínica e não clínica podem pôr em causa o normal funcionamento da
intervenção cirúrgica.
— Percebe-se ainda que o documento é omisso para situações em que a
grávida é submetida ao procedimento sob anestesia geral, permitindo que
estranhamente a mulher grávida possa consentir a presença parental se
submetida a cesariana sob anestesia geral.
— Erradamente não prevê a regulamentação de situações de obtenção de
imagens, como sejam fotografias (vídeos) ou ainda a exportação e
transmissão de dados para o exterior que, no nosso entender, deveriam ser
expressamente proibidos, ou se devidamente autorizados pela equipa médica,
a captura de imagens se encontrarem limitadas ao bebé após a devida
avaliação clínica e reanimação, não podendo ser objeto de imagem a equipa
profissional, a sala operatória, ou procedimento anestésico/cirúrgico.
Assim, pelo exposto e sobretudo por razões de segurança e qualidade
clínicas, exatamente ao contrário das razões invocadas no referido
Despacho que deu origem a esta autorização, somos do parecer que não deve
ser autorizada a presença de qualquer acompanhante da mulher grávida em
ambiente de bloco operatório, quando durante o trabalho de parto existe a
necessidade de proceder a uma cesariana.”
A equipa que a vai acompanhar no parto
O parto é um momento único e especial, e é importante que se sinta informada
e segura sobre quem poderá estar presente para a apoiar. A decisão de quem a
acompanhará é sua, e deve conhecer o papel de cada profissional que fará parte
da sua jornada.
Se tiver preferência por um determinado profissional, informe-se com
antecedência sobre a dinâmica do local onde pretende dar à luz, para perceber
como funciona a equipa e quem estará disponível para a acompanhar.
Quem faz parte da equipa do bloco de partos num hospital do SNS?
Enfermeiros obstetras (EESMO) — os especialistas no parto de baixo risco
Os enfermeiros especialistas em Saúde Materna e Obstétrica (EESMO) são
altamente qualificados para assistir partos de baixo risco.
Na maioria dos casos, tanto o trabalho de parto como o parto propriamente
dito são acompanhados por estes profissionais. Os médicos obstetras são
chamados apenas quando há necessidade de intervenção médica.
Médico Obstetra — presente quando necessário
Os médicos obstetras estão preparados para intervir em situações que exijam
assistência médica específica.
Como cerca de 80% dos partos decorrem sem complicações, o obstetra entra em
ação sobretudo nos 20% dos casos em que há necessidade de suporte médico
adicional.
Médicos Internos de Ginecologia e Obstetrícia — médicos em especialização
São profissionais que já completaram a formação em Medicina e estão a
realizar a especialidade em ginecologia e obstetrícia.
Fazem parte da equipa médica do bloco de partos, trabalhando sob a supervisão
de um especialista.
Alunos da Especialidade de Enfermagem (AEESMO) — futuros enfermeiros especialistas
São enfermeiros que já concluíram o curso de Enfermagem e que se encontram a
especializar-se em Saúde Materna e Obstétrica.
Durante o trabalho de parto e o parto, estão acompanhados e orientados por um
Enfermeiro Especialista (EESMO).
Pediatras/Neonatologistas — chamados sempre que necessário
Podem não estar sempre presentes na altura do parto, sendo chamados se a
equipa considerar que a sua presença é essencial para receber o bebé,
garantindo os melhores cuidados ao recém-nascido.
Quando há necessidade de instrumental um parto, independe da condição do bebé,
eles, na maioria das vezes, são chamados à sala.
Anestesistas — apoio na analgesia e controlo da dor
O anestesista pode não estar sempre na sala de partos, mas estará presente
nos momentos-chave, como a colocação da analgesia epidural, ou sempre que for
necessário ao longo do trabalho de parto.
Assistentes Operacionais — apoio essencial nos bastidores
São responsáveis por manter a higiene e organização do espaço, garantindo
que tudo está preparado para um ambiente seguro e confortável.
Embora não fiquem na sala de partos, são chamadas sempre que necessário.
Saber quem faz parte da equipa que a irá acompanhar permite-lhe sentir-se
mais segura e confiante neste momento tão especial.
Cada um destes profissionais tem um papel fundamental para garantir que o
seu parto decorra com tranquilidade e respeito pelas suas escolhas.
Acima de tudo, estão lá para cuidar de si e do seu bebé, com dedicação e
carinho.
E se não me sentir confortável com algum elemento da equipa?
Em Portugal, tem o direito de recusar ser atendida por um profissional de
saúde e solicitar outro, incluindo durante o trabalho de parto, desde que
haja disponibilidade e não comprometa a sua segurança ou a do bebé.
Os seus direitos enquanto utente
A Lei n.º 15/2014, de 21 de março, que estabelece os direitos e deveres dos
utentes dos serviços de saúde, consagra o direito ao consentimento informado
e à recusa de tratamento, exceto em situações de risco de vida.
Além disso, a Lei n.º 110/2019, de 9 de setembro, reforça os direitos da
mulher durante a gravidez e o parto, garantindo que suas escolhas e
preferências devem ser respeitadas, sempre que possível.
Quando pode recusar um profissional?
Pode recusar ser assistida por um determinado profissional de saúde se:
Não se sentir confortável com o seu atendimento;
Houver falta de empatia ou respeito na comunicação;
Sentir que as suas escolhas estão a ser ignoradas;
Preferir ser atendida por alguém do mesmo género, se for possível;
Tiver um histórico de experiências negativas com esse profissional.
Como fazer este pedido?
Informe a equipa médica ou de enfermagem que gostaria de ser atendida por
outro profissional.
Justifique de forma clara, especialmente se for um caso de desconforto
emocional ou falta de confiança.
Peça para falar com o responsável da equipa, por exemplo: obstetra
responsável pelo turno ou enfermeiro-chefe.
Se possível, tenha alguém que a apoie, como o seu acompanhante, para
reforçar o pedido.
Limitações práticas
Embora este seja um direito, a sua concretização pode depender da
disponibilidade da equipa no momento.
Em algumas unidades, especialmente em emergências, pode não haver alternativa
imediata. No entanto, deve sempre ser ouvida e respeitada.
Um pouco por todo o mundo existem exemplos de sociedades e sistemas que oferecem às mulheres, diferentes opções relativamente à livre escolha informada pelo local de parto e nascimento, permitindo que mulheres possam escolher entre unidades hospitalares obstétricas convencionais geridas por médicos obstetras, unidades hospitalares obstétricas de baixa intervenção geridas por enfermeiras especialistas em saúde materna e obstétrica (EESMO), casas de parto e partos no domicílio, estas duas últimas também geridas por EESMO.
Em países como Holanda, Austrália, Japão e Reino Unido (entre outros) o parto planeado no domicílio não é apenas reconhecido, como também incentivado pelo sistema público de saúde.
O direito da escolha do local de nascimento é uma das vertentes do Direito à Vida Privada plasmado no art.º 8º da Convenção Europeia dos Direitos do Homem.
Em Portugal o número de partos no domicílio ainda é baixo, mas nos últimos anos, há cada vez mais mulheres a optarem por fazer partos em casa.
O parto no domicílio não pode ser encarado como uma moda. A escolha de ter o bebé em casa deverá resultar de um profundo desejo que carece partir da mulher e o fator determinante para esta escolha vai depender da resposta a duas questões:
– Onde me sinto segura?
– Porque me sinto segura?
E ao responder com segurança e convicção às estas duas perguntas, poderá decidir se realmente será em casa o melhor lugar para ter o seu bebé.
Conclusão: Confiança e segurança acima de tudo
Independentemente do local e do tipo de parto que escolher, o mais importante é sentir-se segura, respeitada e bem acompanhada.
Independente do tipo de parto pretendido, pesquise bem as opções disponíveis e fale abertamente com os profissionais de saúde. Escolha um local onde se sinta confortável e uma equipa que respeite as suas escolhas. O parto é um momento único e especial – e merece ser vivido com tranquilidade, confiança e apoio.
A presente reflexão centra-se na cesariana agendada, um procedimento
realizado na ausência do trabalho de parto, em que o momento do nascimento
não é determinado pelo bebé, mas sim pelo médico ou pela própria gestante.
Este tipo de cesariana distingue-se daquela que ocorre no decurso do trabalho
de parto, onde o bebé passa por um processo fisiológico que lhe permite
ativar os mecanismos responsáveis pela finalização da sua maturação e
adaptação à vida extrauterina.
Adicionalmente, importa considerar a cesariana eletiva realizada após o
início do trabalho de parto, como no caso de uma apresentação pélvica em
primigestas. Nestes casos, apesar de a via de nascimento estar previamente
definida, a intervenção ocorre apenas quando o trabalho de parto se inicia
espontaneamente, permitindo que o bebé passe por parte das adaptações
necessárias ao nascimento.
A principal distinção entre estas abordagens reside na ausência do trabalho
de parto e na questão fundamental: quem determina o momento do nascimento –
o bebé, o obstetra ou os pais? É essencial compreender as implicações desta
escolha e conhecer as vantagens e desvantagens da realização de uma cesariana
eletiva sem indicação clínica, particularmente no que respeita ao impacto
neonatal, materno e social.
Importa salientar que esta reflexão não tem como objetivo opor-se à autonomia
da mulher na escolha da via de parto. Pelo contrário, reforça a importância
do consentimento informado, garantindo que a grávida dispõe de informação
clara e baseada em evidência científica sobre os riscos e benefícios
inerentes a cada abordagem.
A verdadeira valorização da mulher no processo de parto passa pelo direito
à escolha, desde que esta seja fundamentada no conhecimento e na compreensão
plena das consequências associadas a cada opção.
Consequências da cesariana eletiva para a saúde materna e neonatal
A cesariana é uma cirurgia major que envolve múltiplas camadas de tecido, e
a sua realização na ausência de trabalho de parto pode trazer implicações
importantes para a recuperação da mãe e para o bem-estar do bebé. Entre os
principais fatores a considerar estão:
Maior perda de sangue – para chegar ao útero, são
cortadas seis camadas de tecido, todas suscetíveis a sangramento.
Quando o útero é aberto antes do início do trabalho de parto, a
hemorragia pode ser mais intensa, pois a parede uterina encontra-se
mais espessa e menos preparada para a contração.
A contração uterina é essencial para reduzir o sangramento no local
onde a placenta estava fixada. Assim, a perda de sangue numa
cesariana pode ser o dobro da de um parto vaginal.
Maior risco de infeção – a cesariana é uma cirurgia
abdominal, o que significa que os órgãos internos ficam expostos a
microrganismos, aumentando o risco de infeções, tanto na incisão
cirúrgica como no útero e outros tecidos internos.
Recuperação mais lenta – como várias camadas de
tecido são cortadas, a cicatrização é mais demorada. Isso pode
prolongar o desconforto e limitar as atividades diárias da mãe
durante as primeiras semanas após o parto.
Maior retenção de líquidos e inchaço (edema) – a
perda de sangue excessiva leva o corpo a tentar compensar, resultando
numa maior acumulação de líquidos fora dos vasos sanguíneos, o que
pode causar inchaço nos membros inferiores e no corpo em geral.
Maior necessidade de medicação – a dor
pós-operatória é geralmente mais intensa do que num parto vaginal,
o que pode levar ao uso prolongado de analgésicos. Além disso, devido
ao risco aumentado de infeção, pode ser necessário recorrer a
antibióticos, alguns dos quais podem não ser compatíveis com a
amamentação.
Dificuldade na amamentação e no vínculo com o bebé –
o desconforto da cirurgia pode dificultar o posicionamento do bebé
para a amamentação e tornar o contacto pele a pele mais desafiante,
o que pode atrasar o início do aleitamento e a criação do vínculo
afetivo.
Maior risco de depressão pós-parto – a ausência do
trabalho de parto impede a libertação natural de hormonas que ajudam
a mãe a sentir-se mais preparada para cuidar do bebé. Além disso, a
dor e as limitações físicas podem fazer com que a mãe se sinta menos
capaz, aumentando o risco de depressão.
Internamento hospitalar mais prolongado – em alguns
hospitais, as mães submetidas a cesariana, precisam permanecer
internadas por mais tempo para monitorização da recuperação e
prevenção de complicações.
Risco aumentado de complicações numa gravidez futura
– a cicatriz uterina pode afetar a implantação da placenta numa
próxima gravidez, aumentando o risco de placenta prévia/baixa
(localização da placenta na parte inferior do útero), o que pode
causar hemorragias graves.
Risco de placenta per-creta – em futuras gestações,
há a possibilidade de a placenta invadir profundamente a parede do
útero, especialmente na área da cicatriz da cesariana anterior. Esta
condição pode ser grave e, em alguns casos, exigir a remoção completa
do útero (histerectomia total) para evitar hemorragias fatais.
Riscos maternos da cesariana vs riscos maternos parto vaginal (em nº de vezes superior)
Risco
Número de vezes superior
Lesões urológicas
31
Hemorragia major
11
Infeção
11
Morte materna
5
Trasfusão sanguínea
4
Tromboembolismo
4
Complicações anestésicas
2
Vantagens para a mãe
É um procedimento cirúrgico rápido;
É passível de ser programado;
Atenua a ansiedade da mãe, tão frequente nas últimas semanas de gravidez;
A recuperação pode demorar até 15 dias se não houver complicações;
Em 30-40 dias a cicatrização está completa e a mulher está perfeitamente
apta para fazer as suas atividades quotidianas, se não houver
complicações.
Impacto da Cesariana Eletiva no Bebé
A cesariana realizada antes do início do trabalho de parto pode afetar o bebé
em vários aspetos do seu desenvolvimento, uma vez que impede a ativação de
mecanismos naturais essenciais para a sua adaptação à vida extrauterina.
Entre as principais desvantagens estão:
Imaturidade respiratória e maior risco de complicações pulmonares
– durante o trabalho de parto, ocorrem alterações hormonais que
ajudam a preparar os pulmões do bebé para a respiração fora do útero.
Sem esse processo, a absorção do líquido pulmonar pode ser mais lenta,
aumentando o risco de dificuldades respiratórias, como taquipneia
transitória do recém-nascido.
Imaturidade hematológica e predisposição para anemia
– o trabalho de parto contribui para a regulação dos níveis de
hemoglobina e ferro no bebé. Quando este processo é interrompido, o
recém-nascido pode ter maior risco de desenvolver anemia nos
primeiros meses de vida.
Imaturidade gastrointestinal e maior risco de problemas
digestivos
– o desenvolvimento final do sistema digestivo ocorre nas últimas
semanas de gestação e é estimulado pelo início do trabalho de parto.
Quando o nascimento ocorre antes desse processo, o bebé pode
apresentar maior predisposição para refluxo gastroesofágico e
obstipação (prisão de ventre).
Imaturidade neuromotora e possível impacto no desenvolvimento
motor
– o trabalho de parto também contribui para a maturação do sistema
nervoso e motor do bebé. Estudos sugerem que bebés nascidos por
cesariana sem trabalho de parto podem apresentar atrasos ligeiros no
desenvolvimento motor, como no controlo da cabeça e na coordenação dos
movimentos nos primeiros meses de vida.
Imaturidade imunológica e maior suscetibilidade a doenças e
alergias
– o sistema imunitário do bebé desenvolve-se melhor quando ele passa
pelo canal de parto, pois é exposto à microbiota materna, que
contribui para a colonização saudável do seu trato gastrointestinal
e fortalece as defesas naturais.
Além disso, o stress fisiológico do trabalho de parto ativa
mecanismos de resposta imunológica essenciais para a adaptação do
recém-nascido. Sem essa ativação, o bebé pode ficar mais vulnerável a
infeções e alergias.
Dificuldade na criação do vínculo mãe-bebé – o
contacto pele a pele imediato e a libertação natural de hormonas
durante o trabalho de parto promovem o vínculo entre a mãe e o bebé.
Na cesariana, especialmente quando há separação pós-parto, essa
ligação pode ser afetada, o que pode influenciar o bem-estar
emocional da mãe e do recém-nascido.
Dificuldades na amamentação – a produção de leite
materno é estimulada pela cascata hormonal desencadeada pelo trabalho
de parto. Como esse processo não ocorre na cesariana eletiva, a
“subida do leite” pode ser mais tardia, dificultando o início da
amamentação.
Estudos indicam que bebés nascidos de cesariana tendem a ser
amamentados por períodos mais curtos do que os nascidos por parto
vaginal, o que pode estar associado a um maior risco de obesidade
infantil, diabetes e alergias a longo prazo.
Considerações Finais
O mais importante é que a decisão sobre a via de parto seja baseada em
informações claras e fundamentadas, garantindo a segurança e o bem-estar
tanto da mãe quanto do bebé.
A cesariana é uma intervenção para salvar vidas e é importante que os seus
potenciais efeitos sobre o bebé sejam considerados antes de optar por uma
cesariana eletiva sem indicação clínica. Sempre que possível, deve-se
permitir que o trabalho de parto ocorra naturalmente, garantindo que o bebé
beneficie do seu desenvolvimento final antes do nascimento e facilitando a
sua adaptação à vida extrauterina.
Riscos para o bebé da cesariana vs riscos para o bebé parto vaginal (em nº de vezes superior)
Risco
Número de vezes superior
Morbilidade
7
Diabetes Tipo 1 na infância
1,23
Asma e atopias na infância
1,17
A verdade é que a cesariana eletiva desprivilegia o bebé e põe a mãe e/ou o profissional
de saude em primeiro lugar.
“
“Vía alta o vía baja? Una elección sin precedentes se oferece a las
nuevas generaciones! Que etapa en la história…de los mamíferos! En
pocas décadas, una intervención de salvamento se há convertido en
una manera frequente, es decir, trivial, de dar a luz! Como há sido
possível llegar hasta aqui?”
La CesareaMichel Odent
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